O público da capital paulista conseguiu mais tempo para apreciar as mais de 100 obras da exposição Miró: Mestre das Formas. A visitação, noMuseu de Arte Brasileira, da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB FAAP), em Higienópolis, ficará aberta até 13 de dezembro.

São gravuras, litografias, esculturas, filmes, fotografias e tapeçarias – muitasinéditas no Brasil – do pintor catalão, um dos mais destacadosartistas do século 20.
O contato com outros artistas renomados ocorreu cedo. Ainda adolescente, aos 14 anos, passou a ter a arte como cotidiano, matriculado em uma escola de belas artes.
Miró foi um dos discípulosdo também barcelonêsFrancesc d’Assís Galí i Fabra, que pintou o teto do Palau Nacional, local onde está atualmenteoMuseu Nacional d’Art de Catalunya (MNAC).
Em 90 anos de vida, Miró, que, emprincípio, pendeu mais para o fauvismo -vanguarda artística modernista que surgiu na França no início do século XX-, se submeteu a um processo de aprimoramento e experimentação profundos. Permitiu atrocade materiais, inclusive, mas sua assinatura e sua preocupação com o contexto sociopolítico da época não são apagados nunca de suas obras.
O surrealista viveu no exíliopor causada guerra civil espanhola.Aforma como manifestasentimentos provocados por ela é, embora abstrata, tão perceptível quanto asrepresentaçõesfigurativas, com seu caráter biomórfico (que se inspira em formas orgânicas e vivas da natureza).
Diante de suas obras, em um museu, é possível entender um pouco como partiu do primeiro encontro com o fundador do surrealismo, André Breton, e chegou às suascomposições. A cada elemento, é como se se pisasse em um e outro nível de um gramado de um terreno acidentado, ativando referências de Miró e seu país e de si mesmo, conscientes ou inconscientes.
Há uma década, ao doar obras para serem leiloadas e angariar recursos para a Cruz Vermelha, seu neto Joan Punyet Miró, destacou o espírito solidário do avô.
“Ele sempre quis ajudar os mais desfavorecidos, os refugiados e os exilados. Hoje, estaria consciente de que o que está acontecendona Síria poderia acontecer naEspanha”, disse Punyet na ocasião.