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Mulheres comandam produção em duas em cada dez propriedades rurais

thiago 29 de junho de 2026

As mulheres brasileiras são responsáveis pela produção agropecuária em duas de cada 10 propriedades rurais (19%). Em termos espaciais, isso equivale a 30 milhões de hectares, ou 8,5% da área explorada na zona rural. Elas estão presentesprincipalmenteem unidades de até 20 hectares e dedicadas à agricultura familiar.

Os dados foram compilados pelo estudo Mulheres nas Cadeias de Valor do Agronegócio Brasileiro, publicado pela Fundação IDH e elaborado a partir de revisão bibliográfica sobre a representatividade feminina no comando de atividades rurais no Brasil no Século 21.

Como acontece em outras atividades econômicas no país, o trabalho feminino nas fazendas é menos valorizado do que o dos homens.

“Somente 17,4% das mulheres do setor recebem mais de três salários mínimos — ante 29,8% dos homens”, comparaa divulgação do estudo.

O levantamento se dedica aanalisar o papel feminino em seis cadeias produtivas do agronegócio: pecuária, cacau, citros, soja, café e cana-de-açúcar.

Resultado por cadeia produtiva

A pecuária é o subsetor deatividade no campo com maior participação feminina: em 33% das propriedades com produção pecuária, há mulheres liderando a produção.

No caso do cacau, as mulheres gerem 22% das propriedades, especialmente aquelas pertencentes às suasfamílias e localizadas na Bahia e no Pará.

Nas culturas de laranja, limão, tangerina, lima ácida e toranja, as mulheres lideram 18% da produção.

Na cultura da soja, a que tem maior peso na economia brasileira, o estudo concluiu que “o acesso à gestão ainda enfrenta barreiras culturais severas, incluindo pressão doméstica para o abandono de cargos de liderança”. Elas representam 17% da força de trabalho na produção primária.

Em uma das culturas mais tradicionais do país, a do café, a gestão feminina só é verificada em 13,2% dos estabelecimentos. Nas propriedades que elas administram, a participação feminina namão-de-obra chega a 43% ─ bem acima do que acontece sob o comando masculino (24%).

Na cana-de-açúcar,a participação feminina é ainda menor: apenas 8,8% delas compõem aforça de trabalho e 5,4% estão em cargos de liderança.

De acordo com a Fundação IDH, as mulheres dedicadas à atividades rurais são consideradas “campeãs de inovação”, pois dão prioridade á responsabilidade social e técnicas avançadas de conservação do solo.

O IDH que dá nome à fundação é a sigla em holandês para Iniciativa de Comércio Sustentável. A fundação tem sede em Utrecht, nos Países Baixos. No Brasil, a Fundação IDH atua em cadeias produtivas rurais nos estados de Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

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