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Enchentes e alagamentos lideram preocupações ambientais nas capitais 

thiago 2 de junho de 2026

Os problemas ambientais que mais afligem moradores de capitais brasileiras atualmente são alagamentos e inundações, de acordo com a pesquisa Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, divulgada nesta terça-feira (2) pelo Instituto Cidades Sustentáveis e Ipsos-Ipec.

A preocupação foi manifestada como a principal em Porto Alegre (para 64% dos entrevistados), Goiânia (50%), Belo Horizonte (49%), Recife (41%) e Rio de Janeiro (40%).

Para os habitantes de São Paulo, o que mais exige atenção é a poluição atmosférica (51%). O levantamento, que contabilizou respostas de 3,5 mil entrevistas online, também abrangeu os municípios de Belém, Fortaleza, Manaus e Salvador.

Enchentes e alagamentos também ficam no topo da lista da parcela dos entrevistados com maior nível de escolaridade (43%) e entre as classes A/B (43%) e C (40%). Entre as classes D/E, têm menorimportância (28%).

Já a poluição do ar foi mais citada pelos participantes do levantamento com maior renda familiar – mais de cinco salários mínimos (39%) e de dois a cinco salários mínimos (37%), na comparação com quem tem renda de até dois salários (31%). Também foi mais indicado pelas pessoas pertencentes às classes A/B (38%) e C (34%), enquanto não é tão lembrado pelas das classes D/E (24%).

O coordenador-geral do Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão, observa uma mudança de percepção sobre a realidade. Segundo ele, anteriormente, as pessoas ressaltavam mais tópicos relacionados à educação e saúde e não tanto a demandas relativas ao meio ambiente.

Abrahão critica a morosidade com que autoridades governamentais apresentam ou tentam apresentar soluções. “Só depois de um fato consumado é que se vai de fato trabalhar a questão”, diz.

Muitas vezes, exemplifica ele com um hipotético dilema entre consertar o asfalto e desenhar um plano de prevenção ambiental, os gestores deixam de priorizar a área ambiental porque não garante a mesma projeção. “Ele [o governante] vai lá e asfalta, porque aquilo dá visibilidade, dá retorno.”

Impactos

Os pesquisadores registraram as impressões da população sobre os principais impactos das mudanças climáticas em seu dia a dia.

O calor excessivo aparece em primeiro lugar, com 33%, seguido pela poluição do ar (22%). O preço dos alimentos (15%) e as enchentes (11%) aparecem em terceiro e quarto lugares, respectivamente.

A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva (Rede-SP) participou do lançamento da pesquisa e destacou a necessidade de implementar e sustentar uma série de medidas práticas.

“Não dá para a União ser a única cobrada”, afirma ela, que defende a composição de um conselho nacional de segurança climática, um comitê técnico nos moldes do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), da Organização das Nações Unidas, e de um marco regulatório que trate mais esmeradamente do conceito de emergência climática.

Segundo a pesquisa, 84% dos entrevistados afirmam que as prefeituras podem contribuir no combate às mudanças do clima.

Marina Silva diz que, em matéria ambiental, o mundo está exposto hoje a uma “pedagogia do luto, da perda” e aprendendo por meio da dor. E, no caso do Brasil, este ano de eleições, deverá ser “desafiador”, em virtude do El Niño e da escolha de figuras que “vão baixar a guarda” e irão adotar uma postura mais política e diplomática, sem bater tanto de frente para lutar por certas convicções que os fariam perder votos.

Para a deputada federal, faltam elementos, caso se mantenha somente uma agenda de mitigação e adaptação interminável. “É isso que a gente precisa enfrentar cada vez mais com políticas públicas que dialoguem com os três níveis de enfrentamento do problema”, argumenta. “Não é só questão de adaptar e mitigar, mas de transformar em modelo sustentável de desenvolvimento.”

Pesquisa

A pesquisa Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas foi elaborada com apoio do Sesc SP. Os questionários foram aplicados no período de 1º a 27 de dezembro de 2025, entre pessoas com 16 anos ou mais, com residência nas capitais contempladas havia pelo menos dois anos.

Viabilizado no âmbito do Programa Cidades Sustentáveis, conta com o cofinanciamento da União Europeia, como parte do Programa de fortalecimento da sociedade civil e dos governos locais para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A iniciativa também resulta de colaboração com a Frente Nacional dos Prefeitos e Prefeitas (FNP) e a Estratégia ODS.

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