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Observatório do Clima entrega recomendações para transição energética

thiago 28 de janeiro de 2026

A produção de petróleo deve migrarde uma lógica de máxima exploração para o oposto: produzir omínimo necessário durante a transição para energias mais limpas. Essa é uma das principais sugestões enviadas por 161 organizações sociais que integram o Observatório do Climaparasubsidiar o mapa do caminho para uma transição energética justa e planejada,encomendado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silvaem dezembro de 2025.

O documento conta comrecomendações técnicas, de regulamentação e econômicas e foi elaborado para contirbuir com os órgãos que estão desenhando o mapa do caminho.

O prazo estabelecidopara que a equipe ministerial do governo federal entregue ao Conselho Nacional de Política Energética o planejamento termina no dia 6 de fevereiro.

“Um mapa do caminho justo e inclusivo reduz riscos no curto prazo, amplia oportunidades de crescimento sustentável no longo prazo e representa uma escolha econômica racional para o Brasil”, explica o especialista em conservação da organização social WWF-Brasil, Ricardo Fujii.

De acordo com a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, esse primeiro documento já está sendo elaborado e tratará inicialmente das diretrizes e bases para o Mapa do Caminho.

Com base em um estudopublicado em 2024, as recomendações das organizações sociaisforam organizadas em três blocos: diretrizes de política energética e transição; governança e institucionalidade; orçamento, financiamento e fundamentos econômicos.

A substituição de combustíveis fósseis, como o petróleo, o carvão e o gás natural, por geração de energia limpae renovável, como a solar e a eólica, éuma das principais medidas apontadas por especialistas como necessárias para frear o aquecimento global causado por atividades humanas queemitem gases poluentes na atmosfera.

A mudança no clima provocada pela ação humana tem sido associada a eventos climáticos extremos mais frequentes, que podem se agravar no futuro caso as metas estabelecidas internacionalmente pelo Acordo de Paris não sejam atingidas.

Políticas públicas

Cada bloco do documento enviado ao governo traz medidas de ordem prática.Por exemplo, no que trata das políticas energéticas e de transição, é sugerido realizar o cálculo do mínimo necessário de combustível fóssil para o período de transição energética, o descomissionamento dos campos de petróleo prestes a esgotar e a elaborar um cronograma para zerar os leilões de petróleo no Brasil.

“A desigualdade gerada pela expansão fóssil não é só regional ou social. É intergeracional, com ganhos concentrados agora e custos climáticos, sanitários e fiscais para nossos filhos”, alerta Nicole Oliveira, diretora do Instituto Arayara

Governança

Como recomendação de governança, é sugerido o fortalecimento de mecanismos de integração entre governo, sociedade e setor produtivo, como oFórum Nacionalde Transição Energética e o Fórum Brasileiro de Mudança do Clima, além da criação de um órgão de coordenação central capaz de monitorar o cumprimento de cronogramas e que funcione como uma autoridade de implementação.

“É uma mudança que exige compromisso e responsabilidade de todos os governos – atuais e vindouros – e de uma sociedade que faça e cobre tal escolha. Todo o setor privado – financeiro, agro, indústria – também precisa se engajar, voluntariamente ou não”, diz o pesquisador do ClimaInfo, Shigueo Watanabe Jr.

Finanças

No aspecto financeiro, entre as sugestões está o embasar a suspensão de novos leilões de petróleona gestão do risco de ativos obsoletos (stranded assets, no termo em inglês). Por essa lógica, de perda dos ativos com origem nos combustíveis fosseis em um cenário de transição global, o documento recomenda evitar a antecipação da renda de recursos ainda não explorados.

O fim de novos subsídios governamentais à produção de combustíveis fósseis e a revisão dos existentes também integram as recomendações orçamentárias, assim como a destinação de orçamento vinculado à transição energética tanto no Plano Plurianual (PPA), quanto na Lei Orçamentária Anual (LOA).

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